Aqui está a entrevista que efectuamos há uns dias à Eng. do Ambiente da Câmara Municipal de Monção, a quem agradecemos pela disponibilidade e simpatia que demonstrou ao aceitar realizar esta entrevista.
Para nós, esta entrevista para além de ter sido uma nova e enriquecedora experiencia, foi muito esclarecedora e interessante!...
É um pouco extensa, mas não fiquem indiferentes, deem uma "vista de olhos"!...
Entrevista1- Considera que a população do nosso concelho tem vindo a aderir à separação do lixo nas suas casas?
R: Tem-se verificado um aumento de ano para ano, um pequeno aumento na quantidade de resíduos reciclados. Apresenta-se aqui uma tabela com o total de resíduos diferenciados do concelho a partir de 2004 a produção média diária e depois a recolha selectiva. Apesar de faltarem os dados de 2008, que a Valor Minho ainda não me entregou, podemos ver que há um acréscimo na quantidade de resíduos reciclados. Não é um acréscimo significativo, mas já é um aumento.
2- Há algum tipo de estudo a nível local que dê a conhecer a percentagem de pessoas que separam o lixo?
R: Percentagem de pessoas que separam o lixo não há. Existe apenas a quantidade de resíduos que são separados. Para conhecermos a percentagem de pessoas que promovem a reciclagem só se fizermos um cálculo que relacione a população residente e toneladas recolhidas. Assim temos a média por pessoa.
3- Acha que há uma aposta na educação Ambiental das crianças para a separação dos resíduos ou para a reeducação dos adultos?
R: Por parte das escolas, essa aposta tem existido. As escolas apostam muito na educação das crianças para a reciclagem e fazem exercícios práticos com eles. Eu faço parte do conselho eco - escolas e noto essa preocupação dos professores. Eles promovem durante todo o ano actividades para os alunos, cujo tema é a reciclagem. Além disso promovem também outros temas ligados ao ambiente tal como a água, a energia, mas a reciclagem tem sido a grande aposta. De facto, tem havido preocupação na educação mental das crianças. Agora, por parte da Câmara, não há grande coisa uma vez, que o trabalho já esta a ser feito pelos professores, não havendo necessidade de duplicar.
(E a reeducação dos adultos?) As crianças depois, em casa influenciam os pais, pelo menos é isso que os professores dizem a toda a hora. Eles aprendem na escola e depois incentivam os pais também a fazer separação, explicam como é que se faz.
4- Existem poucos ecopontos no nosso concelho ou pensa que são suficientes? (Caso não sejam suficientes, que medida é que a câmara pretende tomar face a essa situação?)
R: Não são suficientes de todo. Aqui no centro urbano, na vila, já são suficientes, as pessoas não se podem queixar que tem se deslocar grandes distâncias para ter um ecoponto. No entanto, nas aldeias já não se verifica isso, algumas até estão bastante bem equipadas com ecopontos, outras tem um ecoponto para a freguesia inteira.
(Se não são suficientes, que medida é que a Câmara pretende tomar face a essa situação?) A Câmara não pode fazer grandes coisas porque existe a Valor Minho. A Câmara faz parte da Valor Minho que foi criada para selar as lixeiras, colocar os ecopontos e fazer a recolha selectiva. Portanto a colocação dos ecopontos é competência da Valor Minho que é quem faz a sua colocação, embora a Câmara faça sempre os pedidos conforme sente necessidade de colocar um ecoponto aqui ou ali.
5- Que medidas tem sido desenvolvidas pela Câmara Municipal no sentido de sensibilizar a população para a necessidade de separar o lixo? Considera que as medidas têm sido eficazes?
R: Têm-se feito algumas acções de sensibilização ambiental, mas que não tem tido grande aderência.
(Considera que as medidas têm sido eficazes?) Não, portanto têm-se feito acções incluídas na agenda 21 local, fizemos varias acções, embora com pouca afluência das pessoas que apesar de estarem interessadas e acredito que melhorem os comportamentos, na maior parte das vezes não vêm.
6- Tem em perspectiva implementar novas medidas? Quais? E de que forma?
R: Temos, portanto também incluído na agenda 21 local, temos várias acções previstas sobretudo para acabar com as lixeiras clandestinas, nomeadamente com os depósitos de lixo nos montes e para a sensibilização para a reciclagem. Temos uma grande campanha com os cinco concelhos do Vale do Minho, em parceria com a Valor Minho. O objectivo é que esta campanha “dê nas vistas”. Fazer sensibilizações aqui e ali, as pessoas não aparecem, tem que ser mesmo uma campanha, mas não se sabe para quando. Vamos fazer um manual de utilização dos ecopontos, o que é que as pessoas podem colocar num e noutro, e colocar na internet e isso será para breve.
7- Tem sentido dificuldades quanto a verbas para a melhoria do planeamento de separação do lixo?R: Não, porque não é preciso grandes investimentos. A Valor Minho é que tem mais gastos com a colocação dos ecopontos e com a recolha. Tudo o que tenha a ver com campanhas e com acções de sensibilização, que é aquilo que nós temos feito, não tem grandes custos.
8- Acha que por parte da Câmara é dada a devida importância a este assunto?R: É, por parte da Câmara é dada grande importância a este assunto.
9- Tem conhecimento de alguma instituição a nível local que desenvolva actividades de sensibilização face à reciclagem? (A Câmara tem apoiado essa instituição? De que forma?)
R: Eu sei que há várias associações de jovens que por vezes, fazem acções de sensibilização. A Câmara apoia, monetariamente.
10- A quantidade de resíduos recicláveis presentes nos ecopontos tem aumentado? Pode apresentar alguns dados?
R: Sim tem aumentado.
11- Qual o destino dado aos diversos produtos separados nos ecopontos?
R: Eles são recolhidos, são levados para Valença, para as instalações do aterro, depois há lá uma estação de triagem em que os vários resíduos são separados por categorias, o papel, o cartão, os metais e os plásticos, que são separados por tipos. Todos os resíduos que são colocados nos ecopontos, depois vão para a Valor Minho e são triados e depois vão para empresas que vão reciclar esses resíduos.
12- Considera que a população local tem conhecimento sobre boas práticas no uso dos ecopontos? Na sua opinião o que falha?R: A maior parte não! Acredito que se soubessem como se usam, sobretudo os mais jovens, haveria mais preocupação com o problema. Os jovens têm a prefeita noção de quais são as boas práticas.
(E essas pessoas que não tem noção o que falhará?) Pode ser a falta de conhecimento, falta de vontade, sobretudo falta de vontade, porque vê-se pessoas com instrução e estando os ecopontos sinalizados e com informação útil, não obstante as pessoas não praticam reciclagem. Muitas vezes é o próprio acto de colocar o lixo fora e não dentro do contentor ou do ecoponto, que revela má vontade ou falta de práticas de cidadania das pessoas. Como já se disse, não é falta de conhecimento, pois também a televisão apresenta publicidade a toda a hora: o que fazer com vidro, plástico,… Muitas vezes ouvimos afirmações do género: “não posso meter lixo no carro para levar ao ecoponto”. Seria possível existir um ecoponto á porta de casa para colocar o lixo?
13- Pensa que no futuro vai haver mais adesão à separação do lixo?R: Eu penso que sim, a tendência, embora lenta é para o aumento na recolha selectiva, mas tem que se dar pequenos passos para se lá chegar.